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Lenovo IdeaPad Slim 3 com Ryzen 5 7535HS: onde o notebook é forte e onde a ficha engana

Wendell Nunes Publicado por: Wendell Nunes

08 de outubro de 2026

3 de 5 · Bom
Lenovo IdeaPad Slim 3 com Ryzen 5 7535HS: onde o notebook é forte e onde a ficha engana

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O IdeaPad Slim 3 de 15,3 polegadas, código 83MMS00300, chega ao varejo brasileiro com Ryzen 5 7535HS, 8 GB de memória, SSD NVMe de 512 GB, tela WUXGA e Linux de fábrica. Na prateleira de notebooks de entrada, esse conjunto promete um equipamento de escritório e estudo sem custo de licença do Windows. A pergunta que interessa é o que cada número da ficha entrega de fato, e o que fica escondido atrás dele.

Um aviso sobre as fontes, porque elas divergem. A página da KaBuM lista o processador como de 8 núcleos e 16 threads, a 3,2 e 4,75 GHz, mas esses valores pertencem ao Ryzen 7 7735HS, e o Notebookcheck e a ficha oficial da Lenovo confirmam que o 7535HS tem 6 núcleos e 12 threads. Outra loja descreve o mesmo código com memória DDR4 e bateria de 45 Wh, enquanto a KaBuM e a Lenovo indicam DDR5 e 50 Wh. Neste review, adotei a ficha da Lenovo e a página da KaBuM para memória, bateria e armazenamento, e o Notebookcheck para o processador. A Lenovo cataloga a família como IdeaPad Slim 3 15ARP10, e a KaBuM associa o código 83MMS00300 a esse modelo.

O processador: 6 núcleos Zen 3+ em 6 nanômetros

O Ryzen 5 7535HS usa a arquitetura Zen 3+, fabricada em 6 nanômetros pela TSMC. São 6 núcleos e 12 threads, com frequência base de 3,3 GHz e turbo de até 4,55 GHz. O cache soma 3 MB de L2 e 16 MB de L3. O Notebookcheck informa que a Lenovo vende o mesmo chip com o nome Ryzen 5 150, o que ajuda a reconhecê-lo em listagens diferentes.

Em desempenho, os testes de notebooks com esse chip registram média de 9.351 pontos no Cinebench R23 multinúcleo, com variação de 8.540 a 10.900, e média de 1.456 pontos em núcleo único. Para ter uma referência, o Ryzen 5 3500U do mini PC que analisamos no review do BOSGAME E2 Neo marca 3.544 pontos, ou seja, o 7535HS entrega cerca de 2,6 vezes mais em múltiplos núcleos. Já o Core i9 do PC Gamer Aquario, com 26.455 pontos, está acima, e o 7535HS fica em cerca de 35% desse valor. É um processador confortável para navegação com muitas abas, planilhas, videochamadas e programação, e limitado em renderização longa.

A variação de 8.540 a 10.900 pontos aponta para o fator que mais pesa: a potência. O chip trabalha em uma faixa de 35 a 54 watts, e quem escolhe o valor dentro dessa faixa é o fabricante do notebook, conforme o sistema de refrigeração. Como explicamos no artigo sobre processador superaquecendo, um chassi fino pode limitar o turbo para controlar a temperatura, e a Lenovo não publica o limite de potência usado neste modelo. Por isso, o desempenho sustentado de uma unidade específica pode ficar na parte baixa da faixa de testes.

Memória: 8 GB soldados em canal único

Este é o ponto que mais merece atenção. O modelo vem com 8 GB de DDR5-4800 soldados na placa, e a Lenovo descreve um único slot SO-DIMM livre, com limite total de 24 GB (8 GB soldados mais 16 GB no slot).

Cada canal de memória tem 64 bits, ou 8 bytes por transferência. Multiplicando 4.800 milhões de transferências por segundo por 8 bytes, o resultado é de 38,4 GB/s por canal. Com apenas o módulo soldado, o notebook opera em canal único, com 38,4 GB/s. Ao instalar um módulo no slot, a Lenovo indica que a configuração passa a ser de dois canais, com 76,8 GB/s, o dobro da banda. Como a placa de vídeo integrada não tem memória própria e usa a mesma RAM, como detalhamos no review do BOSGAME, essa banda atende processador e gráficos ao mesmo tempo, e a configuração de canal único limita os dois.

Na prática, 8 GB é pouco para o uso atual. Navegador com muitas abas, aplicativos de escritório e videochamada já disputam esse espaço, e a memória de vídeo integrada sai da mesma reserva. Portanto, a atualização para 16 GB ou 24 GB é a melhoria de maior retorno, e o slot livre torna isso possível sem trocar a placa. Vale conferir com o vendedor se o modelo vendido aqui é o de slot livre, já que a Lenovo descreve uma versão com o módulo soldado mais um slot e outra com apenas um slot.

Gráficos integrados: Radeon 660M

A parte gráfica é a Radeon 660M, de arquitetura RDNA 2, com 6 unidades de computação e frequência de até 1,9 GHz. Cada unidade tem 64 processadores de fluxo, o que dá 384. Multiplicando 384 por 2 operações por ciclo e por 1,9 GHz, o resultado é de cerca de 1,46 teraflops. Isso equivale a cerca de 1,19 vez os 1,23 teraflops da Vega 8 do BOSGAME, um ganho real, mas modesto.

A banda limita esse número, como visto acima. Para a tela do próprio notebook, a conta é leve: 1920 por 1200 pixels, a 4 bytes por pixel e 60 quadros por segundo, leem cerca de 0,55 GB/s da memória, 1,4% dos 38,4 GB/s. O Notebookcheck resume o perfil: jogos modernos rodam apenas em resolução e qualidade baixas. Para vídeo, navegador, aulas on-line e jogos leves, a Radeon 660M atende.

A tela: 16:10 é a melhor parte, a cobertura de cor é a fraca

O painel é IPS de 15,3 polegadas com resolução WUXGA, 1920 por 1200 pixels, no formato 16:10. Comparado com uma tela Full HD 16:9 de mesma largura, o 16:10 acrescenta 120 linhas, ou 11,1% mais pixels na vertical, o que se nota em planilhas, textos, código e páginas da web.

A densidade é de cerca de 148 pixels por polegada, calculada pela diagonal de 2.264 pixels dividida por 15,3 polegadas, com passo de pixel de aproximadamente 0,17 mm. Para comparação, uma tela de 15,6 polegadas Full HD tem cerca de 141 pixels por polegada, então a nitidez de texto é ligeiramente melhor.

Os pontos fracos aparecem na ficha da Lenovo. O brilho é de 300 candelas por metro quadrado, suficiente para ambientes fechados e fraco sob luz direta, e a taxa de atualização é de 60 Hz. A cobertura de cor é de 45% NTSC, e a Lenovo não informa a cobertura sRGB. Como uma regra de conversão aproximada trata 72% NTSC como equivalente a 100% sRGB, 45% NTSC corresponde a algo em torno de 62% sRGB, estimativa minha e não dado do fabricante. Isso significa cores mais apagadas, e quem edita fotos ou precisa de fidelidade de cor deve olhar outro painel. A opção OLED existe na família, mas não neste código.

Armazenamento: PCIe 4.0, mas em formato 2242

O SSD é NVMe de 512 GB, em PCIe 4.0 com quatro linhas. Como vimos no artigo sobre SSD NVMe e SATA, essa interface tem teto teórico de cerca de 7,88 GB/s, bem acima dos 550 MB/s de um SSD SATA. A velocidade real depende da unidade, e a ficha não informa marca nem modelo, então vale conferir com o vendedor.

O detalhe está no formato: o slot é M.2 2242, com 42 milímetros de comprimento, menor que os 80 milímetros do formato 2280 mais comum. Fazendo a leitura, a Lenovo indica dois slots 2242 com unidades de até 1 TB, mas o formato curto tem menos opções à venda e costuma ser mais caro por gigabyte. Uma página de varejo descreve o slot como 2280, e isso contradiz a ficha da Lenovo, então a medida deve ser conferida antes de comprar um SSD de reposição.

Bateria e carregador

A bateria é de 50 Wh, com carregador de 65 watts por USB-C. A Lenovo declara 15 horas de reprodução local de vídeo em 1080p a 150 nits. Dividindo 50 Wh por 15 horas, o consumo médio implícito é de apenas 3,3 watts, valor que só ocorre em condições de laboratório, com brilho reduzido e vídeo local. Para um uso de escritório com consumo de 8 a 12 watts, a mesma bateria dura de 4,2 a 6,3 horas, estimativa minha com consumos hipotéticos, e não medição.

Como detalhamos no artigo sobre notebooks que carregam por USB-C, 65 watts correspondem a 20 volts a 3,25 ampères, e a Lenovo informa PD de 45 a 65 watts na porta USB-C. O carregamento por USB-C permite usar um carregador PD comum de 65 watts, desde que o cabo suporte a corrente.

Conectividade e portas

A KaBuM informa Wi-Fi 6 de duas antenas e Bluetooth 5.3, e a Lenovo oferece Wi-Fi 7 em outras configurações do mesmo chassi. Como detalhamos no comparativo entre Wi-Fi 6 e Wi-Fi 5, o Wi-Fi 6 já traz OFDMA e MU-MIMO nos dois sentidos, o que atende bem a rede de um escritório. A câmera é HD de 720p com tampa física de privacidade, abaixo do Full HD que a Lenovo oferece em outras versões.

A Lenovo lista duas portas USB-A de 5 Gbps, uma USB-C de 5 Gbps com saída DisplayPort 1.2, uma HDMI 1.4, entrada de áudio combinada e leitor de cartão SD. Aqui uma conta ajuda a escolher o cabo do monitor externo. Um sinal 4K a 60 Hz, com 24 bits por pixel, exige cerca de 14,3 Gbps. O DisplayPort 1.2, com quatro linhas a 5,4 Gbps e codificação 8b/10b, entrega cerca de 17,3 Gbps úteis, então a USB-C comporta 4K60. Já o HDMI 1.4 atinge 4K apenas a 30 Hz, com cerca de 8,9 Gbps. Para um monitor 4K, a saída recomendada é a USB-C, e a ficha da KaBuM não detalha as portas, então vale confirmar que o modelo vendido tem a saída de vídeo na USB-C.

Linux de fábrica: economia real, com uma pergunta aberta

O notebook vem com Linux instalado, e a página da KaBuM não informa a distribuição. Isso economiza a licença do Windows, e quem pretende usar só navegador, aplicativos de escritório e sistemas acessados pela web encontra um sistema leve e atualizado. Como explicamos no artigo sobre Linux no lugar do Windows 10, a compatibilidade de drivers depende do kernel, e processadores de gerações recentes costumam funcionar melhor em versões novas. Antes de comprar, convém confirmar qual distribuição acompanha e se a Lenovo publica drivers para ela.

Quem prefere Windows pode instalá-lo, já que o Ryzen 5 7535HS está na lista de processadores aceitos pelo Windows 11. A licença é comprada à parte, o que reduz a economia. Com apenas 8 GB, o Windows 11 funciona, e o ganho de uma atualização para 16 GB é ainda maior. A garantia informada é de 1 ano, sendo 3 meses legais mais 9 meses do fabricante.

Vale a pena?

O IdeaPad Slim 3 83MMS00300 entrega um conjunto coerente para escritório, estudo e trabalho com navegador: processador de 6 núcleos cerca de 2,6 vezes mais forte que o de um mini PC de entrada, SSD PCIe 4.0, tela 16:10 de boa nitidez, carregamento por USB-C e Linux sem custo de licença.

Por outro lado, quatro pontos pedem atenção: os 8 GB de RAM em canal único, que pedem atualização logo; a tela de 45% NTSC, com cores limitadas; o formato 2242 do SSD, mais caro para trocar; e o limite de potência do processador, que a Lenovo não divulga. Para quem aceita instalar mais memória e usa o notebook para tarefas administrativas, o conjunto faz sentido. Para edição de imagem, jogos recentes ou uso sob luz forte, vale olhar outra configuração.

Antes de comprar, confirme seis itens: se o modelo é o de 6 núcleos (e não o de 8, como a página sugere), a distribuição Linux incluída, o tipo de RAM (DDR5), a capacidade da bateria (50 Wh), o formato do SSD e a saída de vídeo da porta USB-C.


Fontes consultadas

  • Notebookcheck, ficha do AMD Ryzen 5 7535HS (arquitetura Zen 3+, 6 nanômetros, cache, faixa de potência, Radeon 660M e pontuações de Cinebench)
  • Notebookcheck, ficha do Lenovo IdeaPad Slim 3 15ARP10 (equivalência com o Ryzen 5 150, tela, bateria, peso e portas)
  • Lenovo PSREF, especificações do IdeaPad Slim 3 15ARP10 (opções de memória, slots M.2 2242, tela de 300 nits e 45% NTSC, bateria, portas, DisplayPort 1.2 e opções de Wi-Fi)
  • KaBuM!, página do Lenovo IdeaPad Slim 3 83MMS00300 (DDR5 soldada com slot, SSD 2242 PCIe 4.0, Linux, câmera 720p, garantia e carregador de 65 W)
  • Melhor Comprar, página do mesmo código (usada apenas para apontar a divergência de DDR4 e bateria de 45 Wh)
  • Inception, página de varejo de uma variante do 15ARP10 (brilho, 45% NTSC, peso e Wi-Fi 7 em outra configuração)

Fontes da imagem: Amazon

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