PC Gamer Aquario com i9 de 12ª geração e RTX 5060: onde o conjunto é forte e onde ele limita
Publicado por: Wendell Nunes
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Computadores montados com gabinete de vidro, iluminação colorida e componentes de peso na ficha costumam vender uma sensação de potência máxima. O PC Gamer Aquario, com processador Core i9 de 12ª geração, placa de vídeo RTX 5060 de 8 GB, 32 GB de memória DDR4, SSD NVMe de 1 TB, water cooler de 240 mm e fonte de 650 W com certificação 80 Plus, é um bom exemplo de configuração que pede análise peça por peça. Nem todas as partes têm o mesmo peso no desempenho, e a combinação entre elas é o que determina o resultado real.
Um aviso sobre a ficha: o título do anúncio não informa o modelo exato do i9, a placa-mãe, a marca da fonte, o modelo do SSD nem a configuração dos módulos de memória. Onde esses dados faltam, o texto indica o que conferir antes de comprar.
O processador: um i9 híbrido com 16 núcleos
O Core i9 de 12ª geração, na família Alder Lake, mais provavelmente o 12900 ou o 12900F, combina dois tipos de núcleo. São 8 núcleos de alto desempenho, de arquitetura Golden Cove, com frequência de 2,4 a 5,1 GHz, e 8 núcleos de eficiência, de arquitetura Gracemont, de 1,8 a 3,8 GHz, somando 16 núcleos e 24 threads. O cache é de 14 MB de L2 e 30 MB de L3, segundo os dados do CPU-Monkey para o 12900F.
Em desempenho de múltiplos núcleos, esse processador marca cerca de 26.455 pontos no Cinebench R23. Para ter uma referência, o Ryzen 5 3500U do mini PC que analisamos no review do BOSGAME E2 Neo marca 3.544 pontos, ou seja, cerca de 7,5 vezes menos. É um processador sobrando para jogos, e a maior parte do valor dele aparece em tarefas que usam muitos núcleos, como renderização, compilação de código e edição de vídeo.
A potência merece atenção. O i9-12900F tem potência base de 65 watts e potência máxima de turbo de 202 watts. Como explicamos no artigo sobre processador superaquecendo, o chip usa o limite mais alto por um tempo curto e depois volta ao limite sustentado, e quem define esses limites é o fabricante da placa-mãe. Em placas de entrada, com poucos estágios de energia, o processador pode ficar preso em valores menores que o potencial.
Outro detalhe do nome: se o modelo for o "F", ele não tem gráficos integrados. Como vimos no review do BluePC PRO, isso significa que a placa de vídeo é a única forma de gerar imagem, e uma falha nela deixa o computador sem sinal.
O water cooler de 240 mm
Um water cooler fechado, ou AIO, leva o calor do processador por um líquido até um radiador, onde ventoinhas o dissipam. Em um modelo de 240 mm, o radiador acomoda duas ventoinhas de 120 mm, e a capacidade depende da área do radiador, do fluxo de ar e da bomba. No regime sustentado de 65 watts, esse conjunto trabalha com folga, e nos picos de 202 watts ele precisa absorver o calor durante a janela curta do turbo. A marca e o modelo do cooler não constam no título, e eles definem a qualidade da bomba e das ventoinhas, então vale confirmar com o vendedor.
A placa de vídeo: o que a RTX 5060 entrega e o que a limita
A RTX 5060 usa o chip GB206, com 3.840 núcleos CUDA, frequência de aceleração de cerca de 2,5 GHz e 8 GB de memória GDDR7 em barramento de 128 bits. A 28 gigabits por segundo por pino, essa memória entrega 448 GB/s de largura de banda, conforme a análise da Club386. O consumo da placa é de 145 watts, ligados por um único conector de 8 pinos, e a interface é PCIe 5.0 com 8 linhas.
Multiplicando os 3.840 núcleos por 2 operações e pela frequência, o resultado é de cerca de 19,2 teraflops. Isso é cerca de 15,6 vezes o poder de cálculo dos 1,23 teraflops da Vega 8 do mini PC BOSGAME. Além disso, os 448 GB/s da memória de vídeo equivalem a cerca de 8,75 vezes os 51,2 GB/s da memória DDR4-3200 em dual channel do computador, e essa memória dedicada é o que sustenta o desempenho gráfico.
O limite está nos 8 GB. A Club386 mediu o efeito em jogos que exigem mais memória de vídeo: no Forza Motorsport, a RTX 5060 faz cerca de 29 quadros por segundo em Full HD, enquanto a RTX 5060 Ti de 16 GB fica cerca de 165% mais rápida, mesmo com apenas 17% mais núcleos. Em jogos que cabem nos 8 GB, a história é outra: Assassin's Creed Mirage chega a 119 quadros por segundo em Full HD.
A geração de quadros, o DLSS 4, também tem custo. Segundo a mesma análise, a geração de quadros comum aumenta a latência em 20% a 23%, e os modos de multiplicação, em 35% a 38%, valor que o revisor considerou alto em resolução QHD. Portanto, esse conjunto funciona melhor em Full HD, e um monitor de resolução maior pede mais memória de vídeo.
Quanto à conexão, 8 linhas PCIe 5.0 somam cerca de 31,5 GB/s, e em PCIe 4.0 caem para cerca de 15,75 GB/s, ainda suficiente. A Club386 observa perda de desempenho em alguns jogos quando a placa opera em PCIe 3.0, então vale conferir a geração do slot da placa-mãe.
Memória: 32 GB, mas em DDR4
O processador suporta DDR4 até 3.200 MT/s, o que dá 25,6 GB/s por canal e 51,2 GB/s em dual channel. Para jogos, 32 GB é mais do que o necessário, e o benefício aparece em trabalho pesado e multitarefa. O anúncio não informa se são dois módulos de 16 GB, que garantem dual channel, ou um módulo único de 32 GB, que reduz a banda pela metade. Vale confirmar, como fizemos no BluePC PRO. A plataforma DDR4 também é o fim de uma linha, já que a geração seguinte usa DDR5.
Armazenamento e fonte
O SSD NVMe de 1 TB não tem marca nem modelo no título. Como mostramos no review do Crucial P310, o tipo de memória flash e a presença de memória própria mudam o desempenho em escrita contínua, então o modelo exato importa.
Na fonte de 650 watts, a conta ajuda. Somando o pico do processador, 202 watts, ao consumo da placa de vídeo, 145 watts, chegamos a 347 watts, e uma estimativa de 75 watts para placa-mãe, memória, SSD e ventoinhas leva o total a cerca de 422 watts, ou 65% da capacidade. A NVIDIA recomenda 550 watts para a placa, então a margem existe. O que o anúncio não diz é a marca e o nível da certificação 80 Plus. Como a certificação básica exige ao menos 80% de eficiência, uma carga de 300 watts custaria 375 watts da tomada, desperdiçando 75 watts em calor, enquanto uma fonte de 90% custaria cerca de 333 watts, com 33 watts de perda. Mais importante que a potência é a qualidade e as proteções da fonte.
Vale a pena?
O PC Gamer Aquario entrega um conjunto desequilibrado de forma interessante: um processador de 16 núcleos muito acima do que a placa de vídeo consegue aproveitar em jogos, ligado a uma RTX 5060 que, com 8 GB, funciona bem em Full HD e sofre em jogos que exigem muita memória de vídeo. Para quem joga em Full HD e também trabalha com tarefas pesadas, a combinação faz sentido. Para quem busca resolução maior ou texturas pesadas, o limite está na placa de vídeo, e não no processador.
Antes de comprar, vale confirmar sete itens: o modelo exato do i9 e se há "F" no nome, o chipset e a qualidade da placa-mãe, se a memória vem em dois módulos, a marca e o nível da fonte, a marca do water cooler, o modelo do SSD e se o Windows acompanha licença válida.
Fontes consultadas
- Club386, análise da NVIDIA GeForce RTX 5060 (especificações, banda de memória, consumo, desempenho em jogos e custo da geração de quadros)
- CPU-Monkey, especificações e benchmark do Intel Core i9-12900F (núcleos, cache, potência, memória e PCIe)
- KaBuM!, anúncios de computadores montados da linha Aquario (configurações de referência e itens que variam entre anúncios)
- NVIDIA, recomendação de fonte para a RTX 5060 (550 watts), conforme citada na análise da Club386
Fontes da imagem: Amazon